Uma rua chamada diversão

Uma rua chamada diversão


Cada vez mais casas descoladas e charmosas agitam a região, point da Barra, no Rio de Janeiro

É Barra para pedestres, de calçadas largas e comércio de rua; de prédios baixinhos e lojas a céu aberto, muitas delas com mesinhas embaixo de frondosas amendoeiras, que recebem a brisa que chega do mar, logo ali, na altura da Praia do Pepê. Sem barreiras de espigões pelo caminho, o frescor marinho percorre toda a Av. Olegário Maciel até a São Francisco de Paula, igreja redonda da Barra, na Praça Euvaldo Lodi.

Com 750 metros de extensão, quatro transversais (cheias de atrações paralelas, como a moderninha Kult Kolector, com comes e bebes, discos e produtos-fetiche, e a .Org, um vegano gourmet) e uma enorme concentração de bares descolados por metro quadrado, a Olegário é “o” ponto do Jardim Oceânico, o CEP mais badalado e parecido com os points da tradicional Zona Sul.


A Boulangerie Carioca é novidade: espaço caprichado, com várias vitrines com o melhor da pâtisserie francesa e pães de primeira, além de bons vinhos e boa cozinha, nas mãos do chef Vitor Chuai, uma cria de Christophe Lidy nos tempos de Garcia & Rodrigues. Nas cestas, pelo menos 12 tipos de pães, como o de passas com nozes (R$ 13,50) ou o de massa rústica, de campanha (R$ 11,10). De doces, nunca menos de 20 expostos.

Pertinho dali, o inusitado D.O.N Barber Bear, que faz a divertida comunhão de barbearia com cervejaria. Aberta há três meses, oferece de barba tradicional (R$ 35) a tonalização (R$ 90), mas o grande barato são os 150 tipos de cervejas nobres. É barba, cabelo, bigode e... cerveja!

É atravessar a rua para se alcançar o também novo Reserva T. T. Burguer, de Thomas Troisgros, onde uma canoa havaiana dá o clima da decoração. No cardápio, o de praxe: hambúrguer (R$ 28).

O Bibi Sucos também marca presença na Olegário, com loja transada e varanda disputada, onde servem os mais de 40 sabores de sucos de frutas naturais.

Mas é perto do cruzamento com a Rua João Carlos Machado que funciona o restaurante mais antigo dali, o Uva e Vinho, aberto há 35 anos. O serviço de fondue, um dos mais tradicionais do Rio, está prestes a voltar ao cartaz (é só os termômetros baixarem). Até lá, os 180 lugares são disputados por festivais de preços convidativos. O de camarão custa R$ 55 por pessoa, com quatro entradas e quatro pratos.

Outra rede que baixou na rua é a Gallo Carioca, loja grande e de esquina com o canal da Gilberto Amando. O carro-chefe, como o nome adianta, são os galetinhos de 650g para dois ou três, dourados no carvão (R$ 34,50).

Quer mais um exemplo da mudança de perfil da rua, que ganha ares de Zona Sul? O hypado Hell’s Burguer — que faz a matriz de Botafogo lotar com seus sanduíches caprichados (200g de filé de costela bovina e queijo cheddar ou o de filé de costela com bacon defumado) — vai ganhar uma filial ali. É adesão de peso. E, em poucos meses, a avenida abrigará a terceira loja da Deli Delicia, um mix de padaria/doceria/delicatessen, que começou no condomínio Península, também na Barra e abriu filial em Botafogo.

Na altura da Guedes da Fontoura, a rua “ferve” com uma sucessão de barzinhos. O bar 399 é um clássico dali e atrai multidões, que ocupam suas cadeiras de madeira que avançam esquina adentro. O nome é uma alusão ao antigo prefixo dos telefones desse trecho da Barra. Servem pastéis e espetinhos. Para beber, caipivodca de manga com pimenta. E cerveja gelada. A pizzaria Vezpa, tradicional pelas suas pizzas em fatia é vizinha e inclui Lounge no seu nome, com direito a DJ nos fins de semana.

A Koni Store é a casa seguinte, com temakis variados. O pequeno fast food mexicano Taco Tequila fica ao lado, escorado por uma filial da Paleteca, dos consagrados sorvetes mexicanos que caíram no gosto do carioca. É um quarteirão para todos os gostos.

Próximo à orla, nada menos do que oito estabelecimentos. Com a Comandante Júlio de Moura na esquina, a concentração puxa a multidão, a começar pelo Bar do Elias, árabe bonito e caprichado, com um imponente balcão com toda sorte de pastas e saladas e uma estante que impressiona. De cerveja, servem mais de cem rótulos. Da brasa, cafta de cordeiro (R$ 20) e espeto de mignon (R$ 39). Como a maioria das casas da Olegário, o espaço recebe também do lado de fora, num deque espaçoso, protegido por ombrelones durante o dia, que saem de cena em noites claras.

— Quando esfriar, vamos distribuir mantinhas para os clientes — anuncia Mariam Mohamed, de 28 anos, que, juntamente com o irmão Iahia, de 26, cuida do salão.

Na mesma calçada, está o Resenha, um bar grill do tipo aberto, de esquina e com os onipresentes (infelizmente) aparelhos de TV. Próxima parada? A moderninha Void General Store, de estilo bem londrino, com filial no Leblon. Matheus Veronez, de 25 anos, define a loja como uma “três em um”: conveniência, loja e bar. Vendem de parafina para pranchas a óculos, roupas, coleira de cachorro, cigarro, cervejas, cachorro-quente Geneal e Brownie do Luiz.

Bem ao seu lado fica o Bar do Adão, onde se come vendo as estrelas. Ou a amendoeira. Ou as muitas televisões ligadas. Os pastéis estão lá, adoráveis, em 30 (sim!) versões. Ah, em cada mesa do bar, há providenciais carregadores de celular.

Seu vizinho vai de tacos, tequila e outros hits mexicanos. É o Guacamole, que funciona em uma casa colorida. É a décima no Brasil. Além de tacos e guacamoles, tem paleta, o picolé mexicano. Pelo salão temático, mariachis e tequileiros fazem barulho, mas muuuito barulho.

Fonte: O Globo